domingo, 15 de agosto de 2010

INFORTÚNIO

No último comentário do Alberto Dines no Observatório da Imprensa, ele ressalva que ‘a grande ameaça à mídia impressa não é a internet e, sim, a precariedade intelectual. ’ Há pessoas que lêem o que lhe oferecem, outras nem oferecendo querem ler.

É o caso das novas gerações de adolescentes. Para eles, com TV, internet e twitter tudo esta resolvido. Pesquisa escolar é Wikipédia, mesmo com os pais orientando que nem toda informação da internet pode ser verdadeira. Mas não adianta dar exemplo, ler um livro por semana, recomendar, indicar, aconselhar ou mesmo fazer pressão... Simplesmente eles não lhe ouvem. Ai da mãe que indicar um livro para fazer uma pesquisa. Logo será taxada de louca ultrapassada e pré-histórica. Hoje em dia, o castigo mortal é confiscar o computador.

Mas, se nós adultos já estamos tão presos ao mundo eletrônico/virtual, imaginem eles. Ninguém quer perder tempo com o que não interessa.Todos querem especializar-se em temas determinados. A exemplo dos médicos, atualmente não há mais profissionais clínicos, como no tempo da vovó. Apenas especialistas em cérebro, em estômago, em joelho... E se o remédio do joelho fizer mal ao estômago? Azar o seu. Procure um gastroenterologista.

O mundo anda fatiado em planos cartesianos cada vez mais ínfimos. O salvem-se quem puder e o cada um por si, é que vigora. O egoísmo impera! Para quê senso comum? A miséria e a violência estão tão banalizadas que não mais enxergamos crianças se prostituindo ou passando fome. Infortúnio.

Para se desenvolver senso critico é necessário algo que estimule o pensamento. Informações bombardeadas e breves acomodam e viciam. O vocabulário coloquial está sendo substituído por “tipo assim, tá ligado, vamo nessa...” Não na minha frente caros amigos. Se começarmos a economizar, também, nas palavras, aí é que o mundo estará perdido.

Precisamos de humanidade, coragem e ternura para viver. Precisamos voltar a jogar mais peteca na praia e freqüentar menos os shoppings centeres. Acho que chegando junto, com muito amor, ainda possamos plantar uma semente de fraternidade aos nossos descendentes. Acredito e aposto que um bom caminho para a educação das novas gerações seja o audiovisual. Não os enlatados da indústria cultural claro, mas os documentários e os filmes de arte. Essa mídia consegue conquistar dos jovens mais displicentes aos mais atentos. Faz questionarem-se. Faz refletir, pelo menos um pouco sobre os fatos reais do nosso planeta azul.

3 comentários:

  1. Nada está perdido, minha Cara!

    Há de existir algum caminho para despetar as pessoas da letargia intelectual. Façamos pelo menos a nossa parte, além do discurso. Mãos a obra.

    Carmen

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  2. Cyzi, que reflexão minha amiga! Tudo o que você pontuou é completamente pertinente com o comentário de Dines. Por um momento, ao falar dos médicos achei que pudesse estar fugindo um pouco do tema, porém devemos analisar melhor, uma um assunto puxa o outro e você retoma com total domínio, sem perder “o fio da meada”. Sinto um ar carregado de preocupação em seu discurso, mas temos acreditar e lutar pelas mudanças, estou em comunhão com as idéias de Carmen, é com “mãos a obra” que vamos resolver!

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  3. Nega,
    Você está com razão. E carmém tb. Vc também Adri.
    Sobre a troca de livros por internet, etc, ontem fiquei maravilhada com mais uma de Yara. A pró pediu para cada aluna escolher um livro na biblioteca, ler no final de semana e fazer comentarios. Sabe o livro que ela pegou? Direito Comercial. Bom, o sonho de ser juiza faz ela aprontar cada uma..E o pior, ou melhor, ELA ESTÁ AMANDO.
    Agora, "mãos a obra". Uma vez por ano, geralmente em dezembro, eu e uma amiga fechamos a rua e fazemos brincadeiras das antigas com as crianças. Elas, mães pais, todos amam.

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